ATLAS COLETIVO
inventário de uma paisagem
Water is taught by thirst.
Emily Dickinson
No meio de cada palavra respira um gesto por beber. A hidráulica sagrada do movimento da água está, desde sempre, inscrita no corpo, na história, nos mapas e nos conflitos intersubjetivos da nossa existência. Mas afinal, o que é que nos mata a sede? E a sede, mata-nos? Como recomeçar o mundo num grão de areia?
Sede é uma criação de Ema Inácio e Fernando Chainço que desafia a nossa relação com o silêncio e o vazio, em estado líquido e em estado de outro. A performance questiona o êxodo da sede humana enquanto travessia motriz da desertificação da água. A sede, aparece aqui amolada numa rogativa pro pluvia, lembrando-nos o sentido de humanidade que nada ainda na cartografia celular do nosso corpo, onde as mãos dadas sobre as fronteiras, são a Pangeia possível sobre as fracturas e securas do presente.
A sede transformada em paisagem, surge simbolicamente numa duna de desejo, memória e esperança coletiva. Porque todos sentimos sede - na garganta, nas mãos, no olhar, nos pés, no coração, no futuro, nos encontros e desencontros de que somos predadores. Mas a única forma de regressar ao princípio da água, é de mãos vazias. E fazer tempo do tempo. Aprender de novo o pretérito mais que imperfeito das marés e da vontade circular de juntar dois rios.
Criação e interpretação | Ema Inácio e Fernando Chainço
Flauta | José Martins, Amolador – Projeto 413, A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria
Criação de imagem, som e pós-produção | Miguel Chichorro
Fotografia | Sérgio Godinho
Produção | Atlas Coletivo e Terra.Corpo
Muito obrigado a todos os que estiveram presentes. Deixamos um agradecimento especial ao Miguel Chichorro, pelo seu belíssimo olhar na criação destas imagens, o seu enorme profissionalismo e sensibilidade na leitura das narrativas artísticas. Um outro agradecimento especial à Maria João Frade, por acolher uma duna dentro de casa, meia centena de garrafas e todas as experimentações que foram surgindo, calorosamente e em total liberdade criadora. Por fim, um enorme abraço de gratidão ao Fernando Chainço pela incrível generosidade e beleza que trouxe a este deserto de exercício da sede, com a água do seu movimento.
Saiba mais aqui sobre o Projeto ATLAS COLETIVO - INVENTÁRIO DE UMA PAISAGEM
Equipa artística: Fernando Brito, Ema Inácio, Humberto Brito, Sérgio Godinho
Entidade Organizadora: Associação Projetor Verde
Parcerias e apoios: Terra Corpo, Museu da Paisagem, Arquivo Portos Lisboa, Setúbal e Sesimbra, Bibliotecas do Exército, Grupo Amorim, Kunstworks Fund, Casa d’ Avenida, Cinema Vitória Azeitonense, Câmara Municipal de Alcochete e Câmara Municipal de Setúbal.
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Fotografia: Terra.Corpo




